Nesse último domingo, 12 de setembro, às 23h no Hospital Beneficiência Portuguesa em São Paulo, Wesley Duke Lee se despediu do mundo artístico, não sem antes deixar um legado de obras que mudou a história das artes brasileiras.
Publicitário por formação, dedicado às artes plásticas por amor, Duke Lee firmou sua posição como artista indo contra, ironicamente, à arte política que se firmara no país na década de 60, trazendo, por exemplo, a Nova Figuração para o Brasil quando se tinha por todos os lados o Abstracionismo, além de ser pioneiro em instalações e happenings aqui, ainda não populares na época. Tinha sua própria visão política e sua forma de protestar contra o Academicismo, e graças à isso, o artista teve grandes dificuldades de conseguir seu espaço na cena artística do país, sendo recusado categoricamente em bienais de São Paulo, tendo finalmente uma obra aceita em 1965, que fora censurada.
Em parceria com Nelson Leirner e Geraldo de Barros, cria em junho de 1966 a Galeria Rex e o Jornal «Rex Time». Tinham como objetivo divulgar os artistas que se posicionavam contra a arte vigente na década de 60, e tampouco eram a favor do Mercado da Arte, das críticas que ocorriam em jornais, museus e bienais, além de discordarem do modo como a arte havia sido banalizada e se tornado nada mais que mercadoria, de acordo com o próprio Duke Lee. Exemplo claro disso teria sido o primeiro Rex Time intitulado « Aviso : é a Guerra »- contra a própria arte, no caso. O Rex possuía de certa forma o mesmo espírito dos Dadaístas e do Grupo Fluxus, visto que as intenções artísticas eram semelhantes. Por falta de recursos, porém, não durou nem um ano, encerrando suas atividades em maio de 1967.
Wesley, que veio a falecer de parada cardíaca, sofria de mal de Alzheimer e teve, felizmente, uma exposição montada em sua homenagem ainda em vida. A Pinakotheke no Rio de Janeiro inaugurou, após 18 anos sem nenhuma exposição do artista no país, uma mostra bastante completa, que começou em julho e permanece até dia 2 de outubro (mais informações podem ser obtidas no site da Pinakotheke). Sob curadoria de Fernanda Lopes, que defendeu em sua tese de mestrado pela UFRJ um trabalho conhecido como “A Experiência Rex”, a 29a Bienal da Arte de São Paulo também trará vários trabalhos de Nelson Leirner, Geraldo de Barros, Frederico Nasser, Carlos Fajardo e José Resende, conhecidos como o já citado Grupo Rex.
Wesley Duke Lee se despede mas deixa uma herança imensa para a arte brasileira. E pra quem ainda não conhece seu trabalho e pretende visitar as exposições que acontecem esse ano, deixe-se ser levado para o mar de possibilidades que o artista propõe. De acordo com o próprio Lee, “instruir e divertir” é o que o seu trabalho sabe fazer de melhor.
texto disponível em http://cultura.updateordie.com/2010/09/09/instruir-e-divertir-para-sempre-amem/